No âmbito da Plenária 2025, o Fórum realizou o evento “Conservando o mar, além das fronteiras” com autoridades e organizações da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil. Foi um espaço de diálogo e reflexão sobre os desafios e as oportunidades para proteger os ecossistemas marinhos do Cone Sul.
O evento destacou a importância da governança dos oceanos com base no
conhecimento, na ciência, no compromisso multissetorial e na integração regional,
especialmente em um contexto em que as ameaças à saúde dos oceanos exigem
respostas urgentes e coordenadas. O Fórum, uma rede de 30 organizações que
trabalham com conservação marinha, endossou a nomeação de Valparaíso como local técnico para o Tratado BBNJ. Daniela Castro, Coordenadora do Nó Chileno do Fórum, comentou que “desde o ano passado, estamos pedindo aos países do Cone Sul que ratifiquem esse tratado prioritário para implementar medidas de conservação baseadas em áreas e o uso sustentável e equitativo de recursos genéticos em alto mar e para apoiar Valparaíso como a primeira sede da ONU em um país de América do Sul”.
Esse acordo internacional será um passo muito significativo para a conservação e a
gestão do ambiente marinho global. Conforme destacado por Alejandro Vila, Presidente do Fórum, “estamos ansiosos para a entrada em vigor do Tratado, após a assinatura e ratificação por lei de pelo menos 60 países em todo o mundo. O Chile foi um dos primeiros países a ratificar o Tratado, portanto, além de sediar a secretaria dessa nova convenção, continua demonstrando sua liderança e compromisso com questões marinhas de relevância internacional“.
A atividade contou com a presença de autoridades proeminentes, incluindo o Embaixador Julio Cordano, que enfatizou que o Tratado BBNJ gera governança em uma vasta área de alto mar e é uma grande conquista para os países em desenvolvimento. “A região está do nosso lado, é muito solidária e no Chile temos grande harmonia e consenso político sobre essas questões. Mas esse tipo de iniciativa não pode acontecer sem a sociedade civil (…) Os fóruns globais ou regionais contribuem para esse interesse geral e permitem que o Sul Global seja melhor representado. A candidatura é fortalecida pela sociedade civil porque ela traz transparência, vigilância e solvência ao Tratado. Sua declaração é muito importante”.
Também estiveram presentes o Reitor da Universidade de Valparaíso, Osvaldo Corrales Jorquera, o Senador Ricardo Lagos Weber e o Diretor do Museu Marítimo Nacional, Contra-Almirante Andrés Rodrigo Ramirez, que compartilharam sua visão sobre o papel da cooperação regional, da ciência, da educação e das políticas públicas para uma mudança cultural, ética e de valores necessária para a conservação marinha em nível global.
O Fórum para a Conservação do Mar Patagônico reafirma assim, sua missão de
promover uma visão comum para a conservação dos mares do sul, exigindo uma ação conjunta de governos, instituições científicas e organizações da sociedade civil além das fronteiras. “O Fórum surge da convicção de que a vida marinha, a integridade ecológica dos ecossistemas marinhos e costeiros, os processos oceanográficos e os ciclos dos elementos transcendem as fronteiras que as sociedades humanas estabeleceram. É significativo que este Tratado, ao se concentrar em áreas além das jurisdições nacionais, seja inspirado por uma lógica semelhante: ele reconhece a centralidade da diversidade biológica e promove a cooperação internacional para sua conservação e uso sustentável“, concluiu Andrea Michelson, Coordenadora do Fórum.
