Por que não avançar no desenvolvimento da salmonicultura?
A salmonicultura tem mostrado graves impactos ambientais em diferentes países: contaminação orgânica e química, uso massivo de antibióticos, propagação de doenças e parasitas, introdução de espécies exóticas e pressão sobre as pescarias selvagens destinadas a alimentar os salmões. Esses efeitos já foram amplamente documentados na Patagônia chilena e representam uma ameaça direta à biodiversidade da província de Tierra del Fuego, ainda em bom estado de conservação.
Além disso, o documento de posição do Fórum destaca que Tierra del Fuego Argentina não possui condições adequadas para o cultivo em grande escala. A atividade geraria benefícios econômicos mínimos, uma vez que o processamento deveria ser feito no Chile. Em contrapartida, afetaria seriamente os motores sustentáveis da economia local, como o turismo de natureza e a pesca responsável, setores que dependem da preservação dos ecossistemas marinhos.
“O preço é muito alto para obter um benefício mínimo, que além disso não melhorará necessariamente a qualidade de vida dos habitantes de Tierra del Fuego como um todo”, adverte Andrea Michelson, coordenadora regional do Fórum.
Além disso, a aprovação da Lei 1.355 foi o resultado de uma ampla mobilização multissetorial que incluiu ONGs, cientistas, comunidades indígenas, pescadores, referências culturais e chefs. Habilitar a salmonicultura implicaria ignorar esse consenso social e abrir um conflito de consequências incertas. “A salmonicultura não conta com licença social”, afirmam diferentes vozes do Fórum.
Por fim, a autorização de fazendas de salmão na província violaria compromissos internacionais assumidos pela Argentina, como o Acordo de Escazú e o Marco Mundial de Biodiversidade Kunming-Montreal. Além disso, violaria o princípio da não regressão ambiental, enfraquecendo a segurança jurídica e a liderança do país em conservação.
@Sergio Salazar, Greenpeace
Recomendações do Fórum
- Manter e regulamentar a Lei 1.355 para garantir sua plena vigência.
- Promover alternativas produtivas sustentáveis que fortaleçam as economias locais.
- Garantir processos participativos, transparentes e baseados em evidências científicas.
- Avançar na conservação dos ecossistemas marinhos e lacustres para o bem-estar das gerações presentes e futuras.
A proibição não apenas reforça o compromisso ambiental da província, mas também posiciona a Tierra del Fuego Argentina como referência regional com potencial para impulsionar atividades produtivas que protegem a biodiversidade e as paisagens tão valorizadas mundialmente.