Organizações alertam: suspender a proibição da salmonicultura seria um retrocesso para Tierra del Fuego Argentina

Organizações alertam: suspender a proibição da salmonicultura seria um retrocesso para Tierra del Fuego Argentina 1536 1024 Foro para la Conservación del Mar Patagónico
O Fórum para a Conservação do Mar Patagônico e Áreas de Influência, rede integrada por mais de 30 organizações da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil, reitera sua posição em defesa da proibição da salmonicultura em Tierra del Fuego Argentina, estabelecida em 2021 pela Lei Provincial nº 1.355, diante das recentes tentativas legislativas e executivas de habilitar a atividade.

Por que não avançar no desenvolvimento da salmonicultura?

A salmonicultura tem mostrado graves impactos ambientais em diferentes países: contaminação orgânica e química, uso massivo de antibióticos, propagação de doenças e parasitas, introdução de espécies exóticas e pressão sobre as pescarias selvagens destinadas a alimentar os salmões. Esses efeitos já foram amplamente documentados na Patagônia chilena e representam uma ameaça direta à biodiversidade da província de Tierra del Fuego, ainda em bom estado de conservação.

Além disso, o documento de posição do Fórum destaca que Tierra del Fuego Argentina não possui condições adequadas para o cultivo em grande escala. A atividade geraria benefícios econômicos mínimos, uma vez que o processamento deveria ser feito no Chile. Em contrapartida, afetaria seriamente os motores sustentáveis da economia local, como o turismo de natureza e a pesca responsável, setores que dependem da preservação dos ecossistemas marinhos.

“O preço é muito alto para obter um benefício mínimo, que além disso não melhorará necessariamente a qualidade de vida dos habitantes de Tierra del Fuego como um todo”,  adverte Andrea Michelson, coordenadora regional do Fórum.

Além disso, a aprovação da Lei 1.355 foi o resultado de uma ampla mobilização multissetorial que incluiu ONGs, cientistas, comunidades indígenas, pescadores, referências culturais e chefs. Habilitar a salmonicultura implicaria ignorar esse consenso social e abrir um conflito de consequências incertas. “A salmonicultura não conta com licença social”, afirmam diferentes vozes do Fórum.

Por fim, a autorização de fazendas de salmão na província violaria compromissos internacionais assumidos pela Argentina, como o Acordo de Escazú e o Marco Mundial de Biodiversidade Kunming-Montreal. Além disso, violaria o princípio da não regressão ambiental, enfraquecendo a segurança jurídica e a liderança do país em conservação.

@Sergio Salazar, Greenpeace

Recomendações do Fórum

  • Manter e regulamentar a Lei 1.355 para garantir sua plena vigência.
  • Promover alternativas produtivas sustentáveis que fortaleçam as economias locais.
  • Garantir processos participativos, transparentes e baseados em evidências científicas.
  • Avançar na conservação dos ecossistemas marinhos e lacustres para o bem-estar das gerações presentes e futuras.

A proibição não apenas reforça o compromisso ambiental da província, mas também posiciona a Tierra del Fuego Argentina como referência regional com potencial para impulsionar atividades produtivas que protegem a biodiversidade e as paisagens tão valorizadas mundialmente.

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